Estados globais: diferenças entre Redux e Context API

Matheus Alberto
Matheus Alberto

Compartilhe

Avalie este artigo

Introdução

Este artigo vai discutir as principais diferenças entre as duas ferramentas mais usadas para gerenciar estados globais de uma aplicação em React e React Native, assim como suas funcionalidades e exemplos de uso.

Ao terminar de ler este artigo, você terá condições de escolher a melhor opção para o seu projeto!

Conteúdo

  • O que são Redux e Context API;
  • As diferenças entre as ferramentas;
  • Exemplos de utilização.
Banner da Alura com desenvolvedor programando no computador e convite para aproveitar o feriado para entrar no mundo da tecnologia. A oferta destaca até 40% de desconto em cursos online de programação, mais um mês grátis, com botão “Comece agora” para iniciar a carreira tech.

O que é Redux é para que serve?

Muito utilizadas em React e React Native, Redux e Context API são ferramentas que têm como finalidade gerenciar os estados globais, como, por exemplo, variáveis e funções de uma aplicação.

Mas por que você precisaria gerenciar estados globais de uma aplicação? Primeiro, vamos rever como funcionam os estados de um componente React Native.

Veja o componente a seguir:

import React, { useState } from "react"
import { View, StyleSheet, Text } from "react-native"
 
export default function Flexin() {
  const [text, setText] = useState("Hello World")
  return (
  <View style={style.container}>
    <Text style={style.text}>{text}</Text>
    <TextInput style={style.input} onChangeText={newText => setText(newText)} placeholder="Digite um texto" value={text}/>
  </View>
  )
}

Neste componente, a variável text tem estado variável, ou seja, a cada conteúdo novo digitado no TextInput, a variável text terá seu conteúdo alterado também. Para fazer isso, utilizamos useState() para controlar o estado dessa variável. Mais especificamente a função setText() que é atribuída pelo useState().

Ok, e qual o problema?

Homem de cabelos relativamente longos e de bigode demonstra uma expressão confusa.

Bom, o problema começa quando precisamos alterar o estado dessa variável fora deste componente. Uma coisa muito importante de lembrar é que para alterar o valor (ou estado) da variável text precisamos da função setText() e ela só é acessível dentro deste componente.

Uma maneira de "resolver" esse problema é passar para um componente a função setText(). Por exemplo:

<MeuComponente setText={setText}/>

O problema se torna mais crítico quando temos mais componentes dentro de outros (nesting). Páginas diferentes que podem alterar o estado dessa variável também precisam receber essa função. Se a aplicação crescer muito e diversos componentes podem/devem alterar o estado dessa variável, mais presos e interligados esses componentes vão ficar.

Isso é muito perigoso, porque a ideia de criar componentes é principalmente para melhorar a reutilização e até isolar comportamentos, deixando-os independentes na medida do possível. Com a solução atual, componentes que nem têm a função de alterar aquela variável precisam receber essa função, porque elas precisam passar para outro componente depois.

Para lidar melhor com essas situações em que componentes precisam alterar o estado de alguma coisa fora deles, foram criadas as ferramentas de Redux e Context API, e assim também introduzindo o conceito de variáveis globais.

Principais diferenças entre as ferramentas

Agora que sabemos a função dessas ferramentas, podemos discutir as principais diferenças entre elas. Vamos começar com o Redux.

Redux

Redux é uma biblioteca JavaScript, ou seja, ela pode ser usada fora do React/React Native. Para começar a usar o Redux, é necessário entender alguns conceitos:

  • Actions;
  • Reducers;
  • Store;
  • Dispatch.

Esses conceitos dariam um artigo, por isso oferecemos um resumo bem sucinto:

  • Actions são funções que alteram algum estado dentro da aplicação.
  • Reducers são funções que recebem um estado e o atualizam com a devida Action.
  • Store é onde os estados ficam guardados.
  • Dispatch é quem presta atenção em eventos dentro da aplicação (trata-se de um event listener ou "ouvinte de eventos" do Redux). Ou seja, quando um evento for chamado - um clique em botão, por exemplo -, ele executa um reducer com a devida action.

Uma animação de um botão escrito

Quando o botão "deposit" é pressionado, ele leva o evento de clique para um dispatch, onde a ação de depósito é enviada para a store. Dentro da store, a função reducer altera o estado do valor da conta com a ação recebida pelo dispatch, alterando o valor que aparece em tela.

Os usos para o Redux são:

  • controle de aplicações que precisam ter estados alterados com uma alta frequência;
  • quando existem muitos estados para serem controlados;
  • a lógica para a atualização de um estado é muito complexa.

Desvantagens do Redux:

  • precisa de vários passos para implementar;
  • é uma ferramenta muito complexa para projetos mais simples.

Assim, aplicações menores podem se beneficiar de uma solução mais simples, o Context API.

Context API

O Context API é uma ferramenta nativa do React, o que facilita sua utilização e dispensa a instalação de pacotes

Ela é mais simples de começar a usar e mais focada em passar propriedades para componentes sem se preocupar com os níveis de nesting (componentes dentro de outros componentes).

Para começar a usar o context, primeiro é necessário declarar as propriedades que serão passadas para outros componentes.

Vejamos um exemplo de propriedades:

export const conta = {
  corrente: {
    saldo: 1000,
  },
  previdencia: {
    saldo: 5000,
  }
};

Depois, crie um context com o valor padrão:

export const ContaContext = React.createContext(conta.corrente);

Para utilizar em algum componente, chame um componente de consumer e, dentro dele, chame o componente que você gostaria de passar a informação:

// app.js
import { ContaContext } from "./conta-context";
 
<ContaContext.consumer>
  <MostraSaldo/>
</ContaContext.consumer>
// mostraSaldo.js
 
import React from "react";
import { Text } from "react-native";
 
export default MostraSaldo()  {
  let conta = this.context;
  return (
    <Text>conta.saldo</Text>
  )
}

Neste exemplo, evitaremos muitos detalhes; nosso objetivo é mostrar que a estrutura mínima necessária para fazer o context funcionar é bem menor que a do Redux.

Os usos para o context:

  • aplicações que precisam acessar propriedades globalmente em outros componentes.
  • aplicações React e React Native.

Desvantagens:

  • quando muitas propriedades/objetos precisam ser passadas para diversos componentes.
  • quando a aplicação tem várias regras de negócios que precisam alterar vários estados de propriedades/objetos.

Condensando as diferenças

Vamos resumir brevemente as diferenças entre as duas ferramentas.

Redux

Utilizamos o Redux nos casos em que:

  • Aplicações que precisam ter estados alterados com uma alta frequência;
  • Aplicações com muitos estados para serem controlados;
  • Lógica para a atualização de um estado é muito complexa.

Desvantagens do Redux

Questões importantes sobre o Redux são:

  • Implementação requer vários passos;
  • Ferramenta muito complexa para projetos mais simples.

Context API

Usamos o context em:

  • Aplicações que precisam acessar propriedades globalmente em outros componentes;
  • Aplicações React e React Native.

Desvantagens

O Context API deixa de ser interessante quando:

  • Muitas propriedades/objetos precisam ser passadas para diversos componentes;
  • A aplicação tem várias regras de negócios que precisam alterar vários estados de propriedades/objetos.

Conclusão

Em resumo, é aquele ditado: cada ferramenta tem sua situação para uso. Não existe uma solução perfeita para todos os problemas, por isso, durante o planejamento inicial do projeto, é importante decidir qual ferramenta se encaixa melhor com as requisições.

Utilize este artigo para ajudar a decidir qual solução funciona para a sua aplicação.

Muito obrigado pelo seu tempo e aproveite para conferir outros conteúdos da plataforma!

Formação: React Native

Avalie este artigo

Matheus Alberto
Matheus Alberto

Formado em Sistemas de Informação na FIAP e em Design Gráfico na Escola Panamericana de Artes e Design. Trabalho como desenvolvedor e instrutor na Alura. Nas horas vagas sou artista/ilustrador.

Veja outros artigos sobre Mobile